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Minas Gerais e Jiangsu: trinta anos de amizade e paradiplomacia

O irmanamento é uma das formas mais efetivas de se consolidar um relacionamento institucional internacional de longo prazo

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Em 2026, o estado de Minas Gerais e a província de Jiangsu, na China, completarão três décadas de irmanamento e amizade paradiplomática. Entidades subnacionais se irmanam por identificarem uma proximidade de objetivos e potenciais, gerando uma grande oportunidade de cooperação internacional. O irmanamento entre unidades subnacionais é uma das formas mais efetivas de se consolidar um relacionamento institucional internacional de longo prazo. Um canal estável de trocas, por sua vez, gera segurança e confiança mútua. No caso de Minas e Jiangsu, a decisão acertada de estreitarmos relações tem gerado resultados concretos, impulsionando o entendimento em questões-chave de políticas públicas.

A década de 1990 apresentou uma janela de oportunidades e um momento simbólico para a consolidação do vínculo. Neste momento, Brasil e China passam por viragens importantes. Do lado do brasileiro, é nesta década em que se consolida a democracia e a política externa busca mostrar um “novo Brasil”, mais moderno e aberto às oportunidades no exterior. Para a China, por outro lado, a década acelera o impressionante passo de desenvolvimento econômico e o país se lança ao mundo como potência emergente. Neste contexto, Minas Gerais e Jiangsu ingressam em um movimento de aprofundamento dos laços internacionais e paradiplomáticos.

O acordo de irmanamento tem garantido para Minas Gerais e Jiangsu uma fonte de complementação da diplomacia oficial executada por nossas chancelarias (governos nacionais). É neste sentido que entendemos a paradiplomacia. Para nós, este é um instrumento de potencialização dos laços externos já consolidados entre nossos países e está em função das estratégias de desenvolvimento de nossos povos, nutrindo o respeito às culturas e tradições e aspirando o desenvolvimento integrado e a troca de experiências e oportunidades.

Nos últimos quase trinta anos temos provado que a institucionalização aliada à boa vontade leva à construção de uma relação profícua entre duas unidades subnacionais herdeiras de tradições políticas e com histórias muito diferentes. Recém passado o cinquentenário do estabelecimento de relações diplomáticas entre o Brasil e a China (1974-2024), temos mostrado que nossa força (intensa base comercial e de fluxos de capital e serviços) e complementaridade ultrapassa barreiras geográficas, linguísticas e culturais. O caso do longo irmanamento mostra, inclusive, que Estados federativos e unitários podem ter êxito em desenvolver de laços externos subnacionais.

Jiangsu, que é um dos motores da economia chinesa, detém muitas províncias-irmãs ao redor do mundo, mas é motivo de orgulho para Minas Gerais ostentar o título de primeiro estado-irmão da província. Desde então, a parceria tem se materializado em diversos âmbitos: intercâmbios de alto nível, cooperação econômica e comercial, cultural e educacional e humanitária, no contexto do enfrentamento da pandemia de COVID-19.

As missões de alto nível são a forma mais simbólica de demonstrar o comprometimento mútuo e explicitar o caráter estratégico do vínculo. Ao todo, três governadores mineiros já visitaram Jiangsu, em quatro ocasiões oficiais: Aécio Neves (2004), Antônio Anastasia (2014) e Romeu Zema (2023 e 2024). Pelo outro lado, Minas Gerais recebeu o Governador Liang Baohua e o vice-governador Zhang Weiguo em duas ocasiões (2004 e 2011), recepcionou o Vice-Presidente do Comitê Provincial da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), Yang Yue (2023); o Vice-Diretor do Comitê Permanente da Assembleia Popular Provincial de Jiangsu, Zhou Guangzhi (2024) e o Vice-Presidente Executivo do Comitê Permanente da Assembleia Popular Provincial, Fan Jinlong (2025).

Essas visitas são também canais para a abertura de oportunidades econômicas. Empresas de Jiangsu como o Grupo XCMG e o Grupo Hengtong têm investido há anos em Minas Gerais. No caso específico da XCMG, empresa de maquinário de construção instalada em Pouso Alegre, o expressivo investimento em seu parque industrial foi oficialmente reconhecido pelo governo de Jiangsu como a quarta mais relevante zona de cooperação econômica e comercial no exterior. Em 2020, a empresa, que detém o maior projeto de investimento de uma empresa industrial chinesa no Brasil, lançou-se no ramo bancário, oferecendo serviços financeiros e de crédito, tornando-se o primeiro banco no exterior criado por uma empresa chinesa de manufatura.

Por causa desse investimento, Pouso Alegre tornou-se cidade irmã de Suzhou em 2012. Além delas, Belo Horizonte e Nanquim são irmanadas desde 1996 e, em termos nacionais, na China, Minas Gerais tem ainda mais três irmanamentos municipais: Contagem e Xangai, Uberlândia e Heze, e Montes Claros e Taizhou. Um dos principais objetivos para os próximos anos é integrar ainda mais cidades e incentivar, desde o nível regional, que os níveis municipais implementem medidas de coordenação e cooperação.

O estreitamento tem levado também à cooperação científica, educacional e cultural. Através de protocolos de cooperação, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a  Universidade Estadual de Montes Claros têm cooperado intimamente com a Jiangsu Normal University, Nanjing University of Chinese Medicine e Nanjing Agricultural University, levando à concessão de bolsas a estudantes mineiros junto às principais universidades da província chinesa. No âmbito da educação técnica, em maio de 2024, a Vale, a XCMG Brasil e o Instituto Técnico de Engenharia de Suzhou assinaram um acordo para a realização de um programa de treinamento profissional de montagem e operação de máquinas de engenharia no Brasil, fortalecendo a capacitação técnica e impulsionando o desenvolvimento do parque industrial.

Por fim, durante a pandemia de COVID-19, os dois lados mostraram união no enfrentamento do desafios. Várias comunicações foram estabelecidas entre os governadores e atores-chave e 50 mil máscaras cirúrgicas especiais foram doadas pela província de Jiangsu a Minas Gerais. Este momento mostrou que o valor sublime do irmanamento está firme mesmo em momentos adversos, através da cooperação humanitária.

O futuro reserva ainda mais passos em conjunto e nunca antes as relações entre Minas Gerais e Jiangsu foram tão fortes. Nos próximos meses, espera-se estabelecer o “Mecanismo Bilateral de Cooperação Minas Gerais-Jiangsu”. Este “mecanismo”, ou arranjo institucional, aproximará ainda mais os principais gestores das áreas fins de políticas públicas, promovendo o diálogo, o pensamento estratégico e a troca de conhecimento e informação, que são cruciais para a melhoria das políticas de saúde, educação, ambiental, de segurança e econômica. Nossos povos só têm a ganhar com essa amizade!

Fonte: Pedro Aluízio Resende Leão – Estado de Minas Gerais | André Chen – Província de Jiangsu

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